às vezes
é pura e simplesmente tédio
mesmice de estrada percorrida
de verso repensado reescrito
de vida banal e sem saída
revivida a cada dia
vezes mil
às vezes
é só um entardecer
azul de quarta-feira (travestido
de cinzento) a relembrar a real
dimensão da solidão
no mais
cesárea canta greenfields
- em português -
(presente de orf)
e eu
que mais não sei chorar
ergo um brinde de saudade a mim
e porque o amor bateu-me
à porta e sem pedir
se instalou de mansinho em
minha cama
tratei de me despir
me desarmar desesculpir
(
não sem alguma hesitação
  )
mas vez que o amor tem por
hábito ser efêmero
guardei cada pedaço da
armadura
em caso de ser necessária
a sua reutilização
se a mim me fosse dado num instante
voltar trás-adiante em tempo antigo
a sós contigo pela vez primeira
num quarto de terceira sem cortina
ou quase pois tão fina até a lua
e a luz vinda da rua a atravessavam
e a nós iluminavam mas não víamos
que então nos descobríamos amáveis
amantes de insondáveis madrugadas
em trilhas de abismadas cordilheiras
marinhas cachoeiras altiplanos
urbanos sobrevôos girassóis
de anzóis resplandecendo à pele nua
tão minha quanto tua sem ferir
mas fosse dado a mim àquele instante
distante hoje voltar o que faria
ruído mais seria que silêncio
e pênsil qual punhal um território
com pouco de irrisório em ti de mim
assim demarcaria sem alarde
depois que a tarde em noite se fizesse
e houvesse aurora alguma a despertar
contar desse momento e desfrutá-lo
inteiro ao recriá-lo sem pudor
do amor detalhes íntimos omito
o grito a graça a garra o gozo o guiso
sem siso o verso eriça a pele nua
No dia 12 de março, participei do Nós Pós 7 e foi muito, mas muito legal.
Vejam um pouco daquela noite feliz:
dança comigo?
que importa no compasso além do passo
se passo-a-passo passo além da porta
que encerra qual comporta o pouco espaço
e em marca-passo irmana passo e aorta -
retorta que destila o descompasso
do corpo quando lasso se transporta
e à porta aporta feito em sangue e laço
(nenhum estardalhaço se suporta)
comporta antes ousar unir o traço
ao braço que no abraço outro conforta
e à dança desentorta em novo passo
um passo e outro passo o chão recorta
rompendo o lacre à porta e ao compasso
ao qual além do passo nada importa